12 de Março de 2018

Snapchat já era?

O que houve com a rede social que ia desbancar o Facebook

A Snap Inc. passou de queridinha das redes sociais em 2016 para provavelmente o pior ano de sua história em 2017. A começar pela promessa não cumprida nas vendas do Spectacles. O enorme fracasso na aceitação dos óculos de sol com câmera da Snapchat foi ainda maior do que se imaginava. A venda até começou bem com fila nas lojas e venda exclusiva. Mas foi abrir um site e iniciar a comercialização para começar a encalhar nas lojas. O último dado oficial indica que 300 mil óculos encalharam.

2017 tinha tudo para ser um ano bom para a empresa. A mudança de marca, o enfoque como fabricante de câmeras e o lançamento da oferta de ações (IPO). Nenhuma das anteriores foi bem: as ações não pararam de cair, a marca perdeu relevância por conta do Stories do Instagram (que foi replicado em todos os produtos Facebook. Do WhatsApp até o Messenger) e a aposta nas câmeras foi equivocada. O preço da ação do Snap caiu mais de 15% logo após o IPO. Embora diga que cresceu em número de usuários (17%) e tenha batido em quase 180 milhões de usuários, é pouco comparado com os 300 milhões de usuários ativos do Instagram. Para se ter uma ideia: Snapchat ganhou 4.5 milhões de usuários no período. Pior foi a perda com o hardware (os óculos). 40 milhões de dólares de prejuízo com 300 mil Spectacles encalhados. Receita e base de usuários em queda. A perda líquida foi de 443 milhões de dólares entre julho e setembro do ano passado. As ações caíram 20% depois do anúncio dos dados financeiros.

Se houve algo de bom foi o avanço da empresa na realidade aumentada e outros recursos tecnológicos engenhosos. Caso do Snap Map, que ajuda a compartilhar a localização com usuários (coisa que o Face e o Insta não tem). O perfil do consumidor segue semelhante: jovens e adolescentes que buscam uma rede social que não tenha até os avós participando. Na parte de realidade aumentada (bola da vez das grandes empresas de tecnologia) o Snap acertou. Criou o Lens Studio que oferece aos criadores ferramentas para criar lentes exclusivas para realidade aumentada. Coisa que o Facebook e o Google e a Apple também fizeram. O CEO do Snap disse que passaria a pagar pelo conteúdo dos influenciadores para competir melhor com YouTube e não perder mais usuários para o Instagram. Parece que esse será um foco especial da empresa em 2018. A marca anunciou que vai reformular o design e interface e com isso deve ficar mais fácil de usar e parecido com quem? O Instagram. Outra boa ideia foi criar instalações de arte dentro da ferramenta para que possam ser visitadas por usuários em várias partes do mundo. Algo que envolveu artistas e que já está disponível com realidade aumentada. Resta saber se o Snapchat vai lançar algo revolucionário ou alguma função ou produto novo que possa revitalizar os negócios. O fato é que os principais sites de tecnologia de fora dizem que o grande fracasso em tecnologia em 2017 foi o Spectacles. Parece que as pessoas não estão assim tão interessadas em óculos com câmeras compartilhando cada momento de suas vidas em um app.

A última notícia sobre o Snap foi a festa de luxo (secreta) que a empresa realizou nos Estados Unidos para 5 mil pessoas (entre funcionários e convidados). A mídia negativa do evento foi grande. Primeiro pela proibição de fotografar e usar o app Snapchat. Segundo, por ter custado 4 milhões de dólares em um momento que a rede social não está bem. Resultado: a festinha apareceu em tudo o que é site de notícia do mundo. E os funcionários da empresa e convidados acabaram usando o Instagram para postar sobre a festa. A festa que era para se viver o momento e de forma desconectada deixou o Snapchat “bem mal na foto”.

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