27 de Novembro de 2017

Crime manda dentro dos presídios goianos

PCC planejava colocar grande número de presos livres no Estado

Agentes e delegados da Po­lícia Civil desencadearam na manhã de ontem a Ope­ração Insone que visa desbaratar uma bem montada organização criminosa que agia a partir de pre­sídios no Estado. Foram cumpri­dos 174 mandados entre prisão e busca e apreensão em 50 cidades do interior mais a capital. As ações foram comandadas pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), que condu­ziu as investigações.

Segundo o delegado Braynner Vasconcelos Cursino, que coorde­nou as investigações e a operação, o grupo agia dentro de presídios ordenando a prática de crimes di­versos como roubos, homicídios de desafetos e a maior parte era li­gada ao tráfico de drogas. “As or­dens eram repassadas de dentro das unidades prisionais por ad­vogados, parentes e visitantes, que foram monitorados e descobertos. Bilhetes, cartas e até ligações de ce­lulares eram utilizados para repas­sar as ordens, que contavam com a conivência e omissão de servido­res do sistema prisional que já são investigados na Operação Regalia e Livramento”, explicou.

Um contingente de policiais cumpriu mandados de prisão con­tra 15 pessoas que recebiam as or­dens, executavam algumas e re­passavam outras para indivíduos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Essa facção crimi­nosa é investigada há mais de três anos por ter ampliado seus domí­nios em Goiás e conseguido esta­belecer uma rede de apoios entre agentes públicos e advogados.

“São pessoas perigosas que or­denam crimes tanto dentro quan­to fora dos presídios. As ordens partem de dentro do presídio para pessoas que estão nas ruas cometerem tráfico de drogas, fur­tos, roubos e homicídios”, expli­cou o delegado Braynner.

Cidades que já estavam na rota do PCC e que têm grande incidên­cia de casos de tráfico e roubos ti­veram maior parte das ações dessa operação concentradas. Goiânia, Trindade, Aparecida de Goiânia, Anápolis, Itumbiara, Caldas No­vas, Morrinhos, Rio Verde, Cata­lão, Santa Helena de Goiás e Goia­nésia estavam na maior parte dos alvos da operação.

LIVRAMENTO
A execução dos mandados foi antecipada porque os policiais descobriram que havia um esfor­ço concentrado de advogados e do comando dos marginais para co­locar em liberdade um grande nú­mero de criminosos que estão pre­sos. Muitos deles voltariam para a senda do crime com autoriza­ção da Justiça mediante ordens conseguidas por advogados liga­dos à facção criminosa.

“É uma investigação contínua. Possivelmente, em breve, teremos novas investigações contra as fac­ções que comandam crimes dentro dos presídios”, frisou o delegado.

O trabalho das equipes foi au­xiliado por policiais militares e agentes do sistema prisional, para facilitar as ações nos presídios. O superintendente do Sistema Prisio­nal, tenente-coronel Newton Casti­lho, ressaltou a importância da uni­ficação de esforços para combater o crime organizado e impedir que esse domínio se prolifere em Goiás. “Isso demonstra que estamos agin­do para impedir o avanço e que o Estado não está apático”, finalizou.

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