29 de Outubro de 2015

O caminhão desgovernado

O jornalista Fábio Trancolin conta um pouco da história de Rio Verde em crônicas

Já ouviu aquela expressão ‘parece que um caminhão passou por cima?’ Não necessariamente por cima de alguém (quase passou), mas por cima de algo... Então, no início do ano de 77, mais precisamente em fevereiro, isso aconteceu na minha casa. Eu morava na esquina das Ruas Augusta Bastos com Avelino Faria quando num final de tarde isso aconteceu, um caminhão invadiu a nossa casa. Pela proporção do acidente era para ter sido uma tragédia, graças a Deus foi só prejuízo material.

Voltando dois dias antes do acidente, era o mês de fevereiro, o Senhor Antônio morreu, fomos para o velório e passamos a noite. Na manhã seguinte, ele foi sepultado, no retorno para casa, o Senhor Manoel, irmão do Seu Antônio não aguentou o baque de perder o irmão, e também fez a passagem para o Plano Espiritual. Mais um velório, outra noite em claro. Voltamos para casa, duas noites em claro, todos estavam acabados. Minha mãe perguntou para o pai se ele iria dormir, ele disse que não, pois tinha serviço na marcenaria, o meu Tio Claudio que nessa época morava lá em casa, também resolveu que iria trabalhar, nesse caso já que vão todos, a mãe pediu para que o pai nos levasse para a escola, nesse ano, eu e o Jairinho estudávamos no Percival Xavier (Escola que funcionava no Colégio Martins Borges), e o Marcello estudava no “Passinhos dos Saber”, que também utilizava sala de aula do Martins Borges, era o primeiro ano da escola da professora Rita de Cássia. Então fomos todos. A mãe resolveu que iria lavar roupa.

O dia decorria tranquilo, mais um daqueles dias quente de verão. No meio da tarde, uma amiga, a Tereza, apareceu lá em casa, e enquanto a mãe recolhia a roupa, ela ia dobrando e colocando em cima da cama. O nosso quarto era o da esquina, ao lado estava o da mãe. Uma Camionete desce a Avelino, e ignorou a preferencial, (naquela época a Augusta descia e subia), e colidiu violentamente com o Mercedes 1113 que subia, o “brutu”’ perdeu a barra da direção e marcou o rumo da casa azul. O cômodo da esquina, simplesmente, desapareceu, no próximo, ele encontrou com o guarda-roupa de madeira maciça que serviu de instrumento para fazer mais estrago ainda. A Tereza foi espremida e salva pela porta. No quintal, ao ver o guarda-roupa aparecendo sendo empurrado pelo caminhão e derrubando a parede e o muro, a mãe desmaiou.

O pai nos trouxe e ao virar na Presidente Vargas, dava pra ver o tumulto, e apenas um pedaço da carroceria do caminhão para fora. Os policiais tinham feito cordão de isolamento para proteger a cena do acidente e, também, os pertences, pois se não bastasse o acidente, alguém ainda carregou algumas coisas antes que a polícia chegasse o famoso saque de tragédia... Entramos e vimos o estrago, brinquedos, roupas e livros no meio de tijolos e muita poeira... Os vizinhos comentavam que o motorista do caminhão desceu transtornado e armado, acreditando que tinha matado a família toda, ele gritava que tinha matado todos, e iria matar o motorista do outro veículo. Foi contido, pois ninguém havia morrido, o condutor da camionete fraturou algumas costelas. A perícia foi feita, a dona da casa recebeu indenização pelo estrago, nós não, não recebemos nada e tivemos que mudar da residência. Os móveis da sala e os utensílios da cozinha não sofrearam danos, o guarda-roupa que foi atingido só quebrou o pé, no quarto tinha um berço que estava na família já algum tempo, serviu para os quatro irmãos, e fazia parte da família, era um berço de imbuia, que tinha a marca dos meus primeiros dentes cravados nele, ele foi o primeiro a ser abalroado e ficou totalmente destruído, o jipe verde do Cello, aquele que o pai tinha comprado na Casa das Louças foi literalmente esmagado... Essa história rendeu muito, duas noites de velório e um acidente de grande proporção, e a família sã e salva. Somos e sempre fomos muito protegidos pelos amigos do Plano Maior.

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