13 de Novembro de 2015

Na época das tampinhas

O jornalista Fábio Trancolin conta um pouco da história de Rio Verde em crônicas

Hoje lembrei a época do álbum de figurinhas que não completava de forma alguma, cada página tinha um eletrodoméstico ou utensílio, se completado você ganharia. TV, bicicleta, gravador, fogão, geladeira, faqueiro e jogo de panelas. Nunca vi alguém ganhar, ficávamos doidos comprando saquinhos e mais saquinhos, e nada de sair a desejada, a página praticamente completa e faltava aquela. Mas era legal, no tempo da inocência, essa era a malandragem e a maneira de enganar a boa fé da meninada, que corria atrás do carro com ferro velho para trocar pelos álbuns. A época das tampinhas que sempre tinha uma novidade. O guaraná Mineiro trouxe uma coleção de aviões de guerra, lembro que teve uma festa no Colégio Martins Borges, e venderam só o “Mineirinho”, e todas as tampinhas foram jogadas nos fundos do colégio, eu fiz a festa. Mas, com o tempo, elas sumiram. Na Copa do Mundo de 1978, lançaram a coleção com os jogadores, no tempo em que todos jogavam no Brasil, e juntávamos aquele monte de tampinhas...

Teve uma coleção da Coca-Cola, era chamada Bingola, pegávamos as cartelas no distribuidor, e íamos colando as tampinhas até completar, e depois você ia até o depósito e trocava pelas miniaturas dos personagens Disney. Lembro que eu e o meu irmão íamos até o armazém que ficava ao lado de casa, onde o pai tinha conta e comprávamos o refrigerante (todos os dias, até que o proprietário avisou para o pai e ele pediu pra suspender a entrega) e pedíamos para anotar, era frustrante quando abria a tampinha e era repetida. Mas sempre tinha alguém para trocar, eu tinha muitos amigos que também colecionavam.

Outra coleção legal que teve naquela época foi o Futebolcards, ela trazia a foto do jogador e no verso o currículo dele. Cada envelope trazia três figurinhas e um chiclete (muito ruim por sinal), era maravilhoso ir até o armazém e abrir cada envelope. No aniversário do Mário, ele ganhou uma caixa fechada, não me lembro, mais era em torno de cinquenta envelopinhos que vinham na caixa. Depois ele comentou “Pô, cara, vieram muitas repetidas, não foi vantagem” o certo era comprar em vários lugares diferentes. Eu comprava na maioria das vezes, no mercado velho, no armazém do João Quito. Tinha aqueles cards que era muito difícil de encontrar, tinha o cartão de controle e por ali você sabia quem eram os jogadores daquele time que estava faltando. Eu estava no Bairro Popular com o pai, estávamos numa venda, e vi no balcão que tinha para vender os envelopes, pedi e ele me deu uns trocados, comprei só um envelope, e quando abri para surpresa lá estava o Zico (Não gostava e não gosto do Flamengo), mas o Artur Antunes Coimbra era diferente, fiquei muito feliz, eu era um dos poucos que tinha. Certo dia, eu fiquei puto da vida com o meu irmão, certa vez, ele trocou o Kleber do Cruzeiro por um litro de jabuticaba... As tampinhas não têm mais, se perderam com o tempo, os cards estão guardados. As figurinhas de chiclete só ficaram as da Fórmula 1, e um álbum que completei e sinto muito tê-lo perdido foi o da Copa do Mundo de 82. Guardar na memória é bom, mas ter no fundo da gaveta é melhor ainda.

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