26 de Julho de 2016

Mudança - Por Fábio Trancolin

O jornalista Fábio Trancolin conta um pouco da história de Rio Verde em crônicas

25 de julho de 1987...  Estava um tempo nublado e fechado, era um sábado. Preparava-me para uma mudança, um tanto quanto radical na minha vida. Voltar a morar em São Paulo. Nasci lá, porém fui criado nas terras da pequena cidade do Planalto Central, naquela época Rio Verde era uma pequena cidade do interior, os seus relacionamentos eram outros... Tive uma rápida passagem pela cidade grande entre 81/82. Mas naquele ano chegou o momento de voltar a enfrentar a “Paulicéia desvairada” cidade grande, ir em busca de oportunidades que aqui não encontrava. Por um lado sentia em deixar os amigos que eram muitos, mas ir causava certo interesse, envolvia outros fatores...

Naquela semana que antecedeu à mudança, causou tristezas, uma delas foi o atropelamento da minha cadelinha, a Katy, tinha levado para vacinar, dei banho e preparei para viagem, tanto ela quanto a filha, a Pepita, eram duas cadelas da raça pequinesa. No sábado dia 18, ela foi atropelada por um caminhão na porta de casa... (Foi um baque...).

Para a mudança, foi resolvido que não se levariam os móveis... Quase tudo seria vendido e foi. O pregão do Zé arrematou tudo que estava à disposição. Resolvemos apenas levar a TV (Foi presente dos dias das mães do ano anterior...).  Não existia mais a marcenaria, as máquinas eu tinha vendido para o Orlando. O amigo Selmo, sempre presente, nos ajudou a desmontar tudo e eu via a casa ir ficando vazia, a Kombi do pregão na porta ia sendo carregada. O primo Claiton passou por lá, e levou alguns utensílios, que não interessava para a venda, colocou na carroça que ele tinha. O primo Alexandre tinha separado algumas coisas, porém deu “bobeira” e o Claiton moleque que era, levou as coisas dele. Cena hilariante, a carroça em disparada e o Alexandre correndo atrás gritando, isso é “meu”, era uma chicotada na égua e outra nos meninos... Quem disse que pegaram...

A mãe fez um pedido para que eu cortasse o cabelo, como sempre gostava de usar o cabelo comprido, e ele estava grande, ela me disse: “Vai lá cortar, não viaje assim, não vai chegar lá desse jeito”. Pedido de mãe foi atendido, meio contra vontade. Ali na Avenida Presidente Vargas, onde hoje está a Casas Bahias, tinha a Casa do Granjeiro do meu amigo Charles, ao lado tinha um Salão de Barbeiro, cortei tão curto que ficou arrepiado... Desci fui até a tabacaria do Pedro Honório, onde hoje está o ponto de táxi do Adejair. Ali comprei um maço de cigarros Camel (naquela época eu fumava).

Às 16:30, o Nacional Expresso encostou no box, ali começaria a viagem... Na hora de partir, três amigos foram se despedir... Selmo, os irmãos Nakayamas Aloisio e Marilsa... Lembro-me dos três acenando quando o ônibus desceu a avenida... Na manhã do dia seguinte, lá estávamos nós, eu a mãe e o pai com a Pepita na coleira (ela também viajou...). O Tio João nos aguardava com seu Chevette cor de creme... Eu louco pra chegar, pois queria ver a Fórmula Um, naquele tempo, eu aficionado pelo esporte, é era o GP da Alemanha, que foi vencido por Nelson Piquet.

Ali muitas coisas aconteceram nos 12 anos que por lá passei... Outras tantas histórias... (que ainda vou contar)...  E, em março de 1999, eu estava de volta... De volta pra casa, pois aqui acredito que seja é o meu lugar... Quando perguntado se eu sou paulistano ou goiano, respondo que sou uma “pizza de pequi”.

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