26 de Junho de 2015

A arte de trabalhar com madeira

O jornalista Fábio Trancolin conta um pouco da história de Rio Verde em crônicas

A arte de trabalhar a madeira é muito antiga, essa arte é uma profissão antiga, José o pai do Mestre Jesus tinha o oficio de marceneiro. A marcenaria é o trabalho de transformar a madeira em objeto útil ou de decoração. Esse profissional deve possuir o dom da criatividade e saber desenhar, além de ter um vasto conhecimento do uso de ferramentas.  O lado artesanal da marcenaria ao longo do tempo foi perdendo o espaço, os chamados móveis projetados feito em MDF (Médium Density Fiberboard) que traduzido ao pé da letra quer dizer (Media Densidade Fibra de madeira), ganhou espaço e dominou o mercado e também as lojas de eletrodomésticos no 20 vezes sem juros fez com que as marcenarias perdessem espaço.

Onde hoje esta localizada o Colégio Oscar Ribeiro era a marcenaria do Ginásio, minha infância foi ali... Cresci nesse mundo de serragem misturada com verniz, serra circular, a plaina e a tupia, a furadeira e no torno a forma arredondava. Serra de fita fatiava, cola branca, ‘formica’, compensado, martelo martelava no barulho constante, formão, os esquadros. Chave de fenda, pregos 10x10, 15x21... Taquear com serrote... Fresa e a broca, lixa fina, lixa grossa de ferro e madeira... A ‘boneca’ deslizava na ‘goma laca’, vigota, caibro, prancha. Xadrez preto e vermelho misturado à tonalidade. Remendava serras de fita, improvisava e inventava, e reutilizava. Apertava tudo no ‘sargento’ (só quem esteve nesse universo saberá o que é um sargento)...

O barulho da circular, o som estridente no engasgo da serra no gomo da madeira ‘segura ai’, empurra outro na ponta amparava. Na Tupia desce e sobe, mede e desfia, regula, marca de novo. Na furadeira, aperta regula a altura no vai e vem à broca perfura, tira vira, e de novo outro furo, a marca do lápis no esquadro do risco na passa. Põe o lápis vermelho na orelha, um pede emprestado o metro, de um e de dois metros de bambu quebra fácil cuidado na vai quebrar, esse é novo... O torno peça quadrada é apertada e ela começa a girar, a goiva desbasta junto com o formão, aprofunda fino e grosso conforme a necessidade, e as formas se fazem...

Esses nomes fizeram parte da minha infância Cerejeira (ela era nobre, adorava o cheiro dela) Mogno, Cedro, Jatobá, Sucupira, Jacarandá, Cedrinho, Angico, Imbuia, Cambará, Peroba, Garapa, e Marfim, e os vários Angelins, tinha aquelas dos cheiros ruins, nada se comparava a Canela-bosta, o nome já dizia tudo... Os Ipês roxo, amarelo e rosa... Quem não ouvia falar de Guatambu...? Ouvia o pai dizer que adorava trabalhar com Caviúna... E outras tantas ali foram transformadas em arte. O pai foi marceneiro de primeira entalhava, torneava e inventava... Meu irmão mais velho (Jairinho) seguiu o mesmo ofício.

Quem esteve nesse universo da transformação da madeira não esquece o cheiro. Dos montes de serragens sendo recolhidos pelas lavadeiras, e o cheiro do verniz e o perfume de algumas madeiras que invadiam o ambiente. As bancadas e os cavaletes... O guarda roupa, a cama de solteiro e a de casal (porteira e torneada) a mesa com quatro cadeiras, e a sapateira, algo que não se ouve mais, cantoneira... No canto de alguém ficou...

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