30 de Maio de 2012

Consultório virtual:Transtorno Dismórfico Corporal

A psicóloga Kátia Beal responde as perguntas dos leitores do Rio Verde Agora

Bom dia Kátia

Sempre acompanho suas colunas, até que tomei coragem e resolvi perguntar também. Tenho uma amiga que é estudante de psicologia e há um tempo ela vem me falando pra eu procurar ajuda, pra eu fazer terapia, porque segundo ela eu devo estar com transtorno dismórfico corporal. Só que até hoje não procurei, primeiro porque tenho vergonha de ir ao psicólogo, segundo porque não tenho coragem de falar com minha mãe sobre isso, e terceiro porque não tenho grana. O que é esse transtorno?  Eu preciso mesmo ir ao psicólogo?

Muito obrigada

J.S. 18 anos.


Bem, você não menciona no seu e-mail com qual característica física sua você mais se incomoda. Mas respondendo de uma maneira geral à sua pergunta, o transtorno dismórfico corporal é a preocupação excessiva ou desproporcional com um defeito na aparência física. Defeito este, que pode ser imaginário ou que exista de verdade, por mais discreto que seja.

Para ser diagnosticada com transtorno dismórfico corporal, observamos se o seu sofrimento ou a sua preocupação com o “defeitinho” é muito grande na sua vida, a ponto de lhe causar prejuízos na escola, na sociedade, na vida pessoal, nos relacionamentos.

Normalmente quem tem esse transtorno se queixa muito de acne (espinhas) no rosto, queda de cabelos, cicatrizes, assimetrias (por exemplo, um seio maior que o outro), pêlos em excesso. A pessoa pode ficar horas se olhando no espelho antes de sair, e muitas vezes nem sai de casa, por conta de focar somente na parte “feia” do seu corpo. Perde eventos, compromissos, passeios, convites porque nunca se acha bonita o suficiente ou adequada para aquela super festa da escola.

Algumas pessoas também se comparam o tempo todo com as outras. Outros comportamentos como fazer uso de maquiagens, dietas, exercícios físicos e outros artifícios para tentar disfarçar o defeitinho também são observados.

Nos casos mais graves a pessoa pode ficar confinada em sua casa para não expor sua aparência supostamente repulsiva.
Tratamento médico não psiquiátrico, cirurgias, tratamentos dentários são frequentemente buscados pelos pacientes. O tratamento cirúrgico não costuma resolver o problema e até mesmo intensifica-o aumentando a preocupação com o objeto da queixa. O início geralmente ocorre na adolescência podendo se dar de forma súbita ou gradual, pode ao longo do tempo apresentar agravamento ou alívio espontâneo dos sintomas.

É muito importante o tratamento com psicólogo para corrigir a visão distorcida que a pessoa tem de si mesma. E não há motivo algum para ter vergonha. O transtorno dismórfico corporal é um problema de saúde como qualquer outro. Não há por que se envergonhar. Ao contrário, é importante cuidar de si para viver uma vida com corpo e mente saudável.

Converse com sua mãe, talvez ela nem saiba o que esteja acontecendo.  A família é peça fundamental no sucesso do tratamento.

Quanto aos recursos financeiros, hoje em dia a psicologia está muito mais acessível a todas as classes sociais. Se você não possui nenhum convênio, procure os serviços de psicologia gratuitos, como as clínicas escolas. Em Rio Verde o curso de Psicologia da Fesurv mantém uma clínica escola para disponibilizar psicoterapia sem custo ou a custos simbólicos. O que você não pode é ficar sofrendo por vergonha de procurar ajuda.

Pense nisso, e tenha uma excelente semana...

Vai dar tudo certo...

*Lembramos a todos os leitores, que não é necessária a identificação, e mesmo que você mencione seu nome, nós o substituímos, para preservar a sua identidade.

Kátia Beal
Psicóloga – CRP 04/36616
Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (UFU)
Uberlândia – MG
katiabeal@gmail.com

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