29 de Junho de 2017

Crise econômica afeta mercado do sexo em Rio Verde

'Clientes sumiram', afirmam prostitutas da cidade

Não está nada fácil para ninguém. A crise econômica que assola a economia brasileira, quebra empresas, gera milhões de desempregados e arregaça com quase todos os setores produtivos, agora brochou de uma vez por todas com um nicho econômico que parecia incólume aos avanços da tempestade econômica: a prostituição.

O mercado de mulheres de companhia, antes rijo como uma peroba rosa, dá sinais de uma engazopada que nem o Viagra pode dar jeito.

Sim, a procura pelo prazer pago está em declínio e anda deixando ‘as meninas’ com as periquitas mais do que em polvorosa.

Foi o que constatou a reportagem em um tradicional ponto de prostituição de Rio Verde, localizado às margens da BR-060, bem pertinho de um motel, nas redondezas de um desativado posto de combustível.

Rose, uma bela morena de 26 anos e seis de prostituição, comentou que nos áureos tempos da economia chegou a fazer mais dez programas por dia.

“Hoje em dia quando consigo três é um milagre. É para se comemorar”, falou a moça de olhar atrevido e corpo coberto com camiseta amarela de malha de algodão, que revelava seios em soutien clarinho e de ‘faróis’ aceso e empinados para cima, como a um girassol que segue o sol bem de pertinho.

A moça revela que a crise já está botando caraminholas na cabeça dela, fazendo pensar em largar a vida de mulher fácil para ir trabalhar na roça. Isso até as coisas melhorarem. “Vou dar mais um tempo e ver como as coisas vão ficar” ponderou mais reflexiva.

Em um outro ponto, Sabrina mantinha-se ereta e firme ao mostrar as coxas roliças debaixo de um vestidinho preto elastina. As pernas, claro, atraíam olhares cobiçadores de motoristas que passavam por ali como se estivessem a apreciar tipos exóticos.

Sabrina tem 32 anos e um frescor ainda típico da juventude. Perfumada, sensual, porém com alguns vincos no rosto, marcas profundas de quem fez escolhas talvez difíceis e contrárias ao que realmente gostaria.

Ela também, claro, esconjurava contra a crise. “Cheguei de manhã, por volta das 9h, e já é quase meio dia e não consegui nenhum cliente. Há meses que a coisa anda deste jeito. O culpado é este governo f.d.p. que acabou com a economia do Brasil”, disse com uma interjeição característica no olhar, misto de raiva e ódio.

Para a simpática Cintia, de 22 anos, a situação não vai mudar tão cedo. Segundo ela, a crise atual é comparável a um tsunami que vai destruindo tudo e depois leva tempo para arrumar a bagunça. “E claro que afeta o nosso orçamento, porque a gente depende disso para viver”, relatou.

Para se ter uma ideia do quanto andam as coisas paras as prostitutas, o valor do encontro, que já chegou a R$ 150 para algumas delas, está na faixa de R$ 50,00.

“Ontem, por exemplo, fiz um programa por R$ 40,00. Isso é dinheiro de pinga e não de biscate”, declarou sarcástica a bonita Alessandra, de 27 anos, que estava ao lado de Cintia.

“As pessoas estão mais preocupadas em colocar arroz e feijão dentro de casa do que fazer programas sexuais. Transar deixou de ser prioritário”, filosofou. “Ainda bem que eu moro com mais outras três meninas. A gente divide as despesas e gastamos somente com o básico”, destacou.

De acordo com Nádia, uma quase senhora de 41 anos, a atual crise é a pior que já presenciou em toda a sua vida. “De repente, tudo virou de cabeça para baixo. O movimento caiu uns 60% e parece que ninguém quer mais funhanhá”, declarou.

A saída para enfrentar este cenário de guerra, segundo Nádia, é morar em república e dividir quartos e despesas de casa com outras girls.

Ela nos contou que mora numa residência juntamente com outras sete ‘amigas’. A casa possui apenas dois quartos e fica no Jardim América, onde os alugueis são um pouquinho mais de boa.

“Foi a nossa salvação, porque pagar aluguel sozinha não está dando mais para ninguém”, finalizou.

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