15 de Maio de 2018

BRF inicia férias e reduz a produção

Unidade de Rio Verde já abate 120 mil aves a menos por dia; proibição de exportar para União Europeia entra em vigor amanhã

A fábrica da BRF de Rio Verde iniciou ontem o período de férias coletivas para os 2,3 mil funcionários da unidade, ao mesmo tempo em que reduzirá os abates de frangos em cerca de 120 mil cabeças diárias. Doze unidades da empresa no Brasil foram proibidas de exportar produtos de origem animal para a União Europeia a partir de amanhã. A empresa ainda não fala em demissões, mas o Ministério do Trabalho já levantou a possibilidade de retomada do Programa Seguro-Emprego para evitar demissões em massa no País.

Em comunicado, a BRF informou que concluirá estudos e avaliações, que já estão em andamento, para o “planejamento de sua produção a fim de buscar as melhores alternativas para reequilibrar o nível de oferta de seus produtos frente ao cenário de demanda”. A União Europeia publicou ontem a decisão de proibir importações de produtos de origem animal de 20 unidades no Brasil que eram autorizadas a exportar para lá. A medida foi tomada depois de indícios de fraudes laboratoriais por parte da empresa, revelados pela Operação Trapaça, desdobramento da Carne Fraca.

Em nota, a BRF explicou que concedeu férias coletivas de 30 dias a funcionários da linha de abate de aves da planta de Rio Verde, a partir de ontem. Segundo a empresa, a medida será aplicada em momentos distintos, já que a essa linha opera com três turnos. Portanto, as férias serão intercaladas, ou seja, enquanto dois turnos estiverem operando, um estará em férias. A BRF diz que pretende “fazer valer seus direitos” perante os órgãos europeus competentes para continuar a atender seus clientes na União Europeia.

O vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Alimentação em Rio Verde (Stiarv), Edson José Contessoto, garante que ainda não há qualquer sinalização de demissões por parte da empresa. Ele lembra que o sindicato acaba de finalizar um acordo de convenção coletiva com a empresa, no qual os trabalhadores tiveram reajuste acima da inflação e outros benefícios. “Acreditamos que esse problema deve se resolver logo por conta da força do Brasil e da BRF nas exportações”, diz.

O sindicato acredita que as medidas adotadas pela empresa visem apenas a uma adequação entre a oferta e demanda neste momento de estoques altos. “Com a mídia noticiando o aumento do desemprego em todo o País, é normal que os trabalhadores fiquem inseguros”. Questionada, a BRF preferiu não se posicionar sobre a possibilidade de demissões.

O presidente da Associação Goiana dos Granjeiros e Integrados em Terminação de Rio Verde (Aginterp), Osvaldo Soerger, informa que a alojamento de aves foi reduzido em cerca de 30% há cerca de 40 dias. Por isso, o abate diário de cerca de 400 mil aves foi reduzido em cera de 120 mil aves. Segundo ele, os produtores fizeram um acordo satisfatório com a BRF, que se comprometeu a pagar as despesas, o lucro fixo da granja em cima do capital e a depreciação, durante a redução dos abates.

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